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Surdolimpíada

O que não faltam nas Paralimpíadas são categorias para incluir pessoas com os mais diversos tipos de deficiências motoras, intelectuais e visuais. Os esportes são adaptados às condições de cada categoria para resguardar a competitividade entre os atletas. Mas, por que não há nenhuma modalidade que inclua os surdos nos Jogos Paralímpicos?

A resposta passa por questões técnicas e burocráticas. Para o Comitê Paralímpico Internacional, os surdoatletas não se encaixam na categoria paralímpica, pois são capazes de participar de competições convencionais. Além disso, o Comitê Internacional de Desportos de Surdos (ICSD) não é filiado ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC).

É por isso que, desde 1924, os surdoatletas participam de uma competição específica, a Surdolimpíada, que também acontece de quatro em quatro anos. Ao todo, 20 modalidades integram o programa da competição, entre elas, atletismo, natação, caratê, futebol, vôlei e basquete. As regras nos esportes para surdos são as mesmas dos disputados por atletas sem deficiência. O que muda é a forma de comunicação, que passa de auditiva para visual. A única exigência para participar da Surdolimpíada é que o atleta tenha perda auditiva de, pelo menos, 55 decibéis no melhor ouvido.

Barreiras

Você pode estar pensando que ter uma competição específica e organizada para surdos, da qual participam cerca de 2.500 atletas, é um sinal de que a prática esportiva na comunidade surda é bem difundida e apoiada. Mas, não é bem assim. Por não participar das Paralimpíadas, os surdoatletas sofrem com a falta de visibilidade, reconhecimento e, consequentemente, de financiamento.

Para se ter uma ideia, a Confederação Brasileira de Desportos dos Surdos (CBDS) sobrevive dos próprios recursos e conta apenas com uma ajuda pontual do Ministério dos Esportes para o projeto de vôlei e de Bolsa Atleta para 17 esportistas. A expectativa da CBDS, caso haja patrocínio, é de levar de 100 a 150 atletas para as próximas Surdolimpíadas, que acontecem na Turquia, em 2017. Caso não haja financiamento, os surdoatletas que quiserem disputar a competição terão que arcar com os próprios custos.

Brasil na Surdolimpíada
Nadador brasileiro Guilherme Maia é um dos principais nomes do esporte surdo nacional. Foto: Divulgação/CBDS
Nadador brasileiro Guilherme Maia é um dos principais nomes do esporte surdo nacional. Foto: Divulgação/CBDS

A primeira participação brasileira nos Jogos para Surdos foi em 1993, na Bulgária. A primeira medalha, entretanto, só chegou em 2009, em Taiwan, quando Alexandre Soares Fernandes conquistou um histórico bronze no Judô, na categoria até 81kg. O Brasil terminou a última edição das Surdolimpíadas –também disputadas na Bulgária– em 36º lugar, com quatro medalhas: uma prata e dois bronzes, conquistados por Guilherme Maia na natação, e um bronze de Heron Rodrigues no caratê.

O esporte para surdos no Brasil ainda sofre com o anonimato, mas a evolução está começando a aparecer. Prova disso são os resultados recentes que país tem conquistado, como o vice-campeonato mundial de futsal feminino para surdos, conquistado ano passado. Resta a torcida para que os surdoatletas encontrem os caminhos de visibilidade que precisam para que eles se mantenham no sentido crescente.