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No primeiro compromisso depois dos Jogos Olímpicos Rio 2016, a Seleção Brasileira Feminina de Futebol volta a campo nesta sexta-feira. As meninas do Brasil enfrentam a França, uma das adversárias históricas da seleção, em amistoso no Stade des Alpes, em Grenoble (FR), às 16h (Horário de Brasília). O time vai forte: tem Marta, Formiga, Bárbara, Andressa Alves, Debinha e cia.

O mais legal é que não dá para reclamar que não tem onde assistir. A CBF, em parceria com o Facebook, vai transmitir a partida na fanpage oficial da Confederação. É a primeira vez que uma partida da seleção feminina é transmitida online. Tomara que seja a primeira de muitas!

Brasil e França no futebol feminino é sempre sinônimo de jogo competitivo. Os amistosos internacionais entre as duas seleções têm se tornado tradição, seja para preparação de campeonatos mundiais ou Jogos Olímpicos. Apesar disso, as duas equipes se enfrentaram apenas uma vez em competições oficiais. Foi em 2003, no Mundial, quando o jogo terminou 1 a 1.

Toda vibração positiva para as meninas do Brasil no início desse novo ciclo!

Confira a lista completa das jogadoras convocadas pelo técnico Vadão:

Goleiras: Bárbara e Aline.

Zagueiras: Mônica, Rafaelle, Bruna e Érika.

Laterais: Tamires, Poliana, Camila e Rilany.

Volantes: Thaisa, Formiga e Andressinha.

Meias-atacantes e atacantes: Marta, Maurine, Juliete, Andressa Alves, Beatriz Zaneratto, Debinha e Raquel.

Mais sobre futebol feminino: Quem se importa?

Quarta-feira, 24 de agosto de 2016. Exatos 44.266 torcedores compareceram aos quatro jogos da rodada inicial das oitavas de final da Copa do Brasil Masculina de Futebol. E olha que a média de público foi bastante baixa. Fora os milhares que acompanharam atentos pela televisão. No mesmo dia, 13 jogos marcavam o primeiro dia da 10ª edição da Copa do Brasil Feminina de Futebol, segunda competição mais importante e a mais antiga do calendário nacional. Mas, quem se importa?

Não se passou nem uma semana do fim dos Jogos Rio 2016, quando a modalidade arrastou multidões aos estádios e atraiu os holofotes da imprensa, e o futebol feminino já está novamente jogado às traças. Nenhuma emissora se interessou por transmitir a Copa do Brasil, apesar de SporTV, TV Brasil e EnterPlay possuírem os direitos. Consequentemente, ninguém vai assistir.

O torneio é um dos poucos berços existentes para o nascimento de jogadoras. Na competição, já brilharam nomes como Cristiane, Maurine, Érika, Debinha, Andressinha, Bárbara, a guerreira formiga e a rainha Marta, todas jogadoras de seleção. A base do futebol feminino brasileiro precisa de visibilidade, que atrai olhares e, consequentemente, investimentos.

Nesta edição, a competição conta com 32 equipes, entre elas, o São José, campeão mundial em 2014, o Flamengo, atual vencedor do Campeonato Brasileiro Feminino, e a Ferroviária, campeã da Libertadores do ano passado. A ausência mais sentida é do Kindermann, que conquistou o título da Copa do Brasil em 2015, mas teve o time dizimado depois do trágico assassinato do técnico, em dezembro.

A Copa do Brasil Feminina é dividida em cinco fases, no sistema de mata-mata. O clube campeão garante vaga na competição continental de 2017. A tabela completa do torneio pode ser acessada aqui. Mas, quem se importa? O ‘país do futebol’ deveria se importar!

Katie Ledecky, Katinka Hosszu, Rafaela Silva, Simone Biles, Marta (sim, Marta!) e tantos outros nomes marcaram esta Olimpíada. O Rio 2016 foi, definitivamente, os Jogos das mulheres! Este poderia ser um texto para falar sobre empoderamento feminino no esporte, representatividade, desigualdade salarial, de premiação e afins. Mas, não é. É uma reflexão sobre estratégia.

Historicamente, o esporte é incentivado no ambiente masculino, como forma de virilidade e demonstração de masculinidade. Isso (e tantas outras questões intrínsecas ao machismo arraigado no mundo, que a gente já conhece) fizeram com que o esporte feminino fosse pouco incentivado ao longo do tempo.

As coisas têm mudado (enfim!). A Rio 2016 bateu recorde de participação feminina, com 4,7 mil esportistas, o que representa 45% do total de atletas. Mas, não é só porque o mundo percebeu a importância de a mulher conquistar espaço no esporte, como tem acontecido em tantos outros contextos.

A inclusão, o treinamento e formação de mulheres no esporte de alto rendimento se tornou um mecanismo de melhorar ainda mais o resultado das grandes potências no quadro de medalhas. A conta é simples: investir no alto rendimento de mulheres é praticamente dobrar as chances de medalhar!

Não por acaso, as maiores potências olímpicas tem números de homens e mulheres equilibrados na delegação que veio ao RJ. Os EUA contaram com 52,6% de mulheres e a China com 61,5%, por exemplo. Na outra ponta, os países que restringem a prática esportiva de mulheres –como os de religião muçulmana– estão longe de estarem no pelotão principal das grandes potências.

Claro, o investimento nas mulheres não é o único segredo dos gigantes no esporte. É preciso considerar a institucionalização da prática esportiva, o incentivo à base, os altos investimentos e outros N fatores. Mas, certamente, faz parte do escopo de ideias que fazem um país se destacar no esporte.

Infográfico produzido pela ESPN sobre a introdução das mulheres nas Olimpíadas
Infográfico produzido pela ESPN sobre a introdução das mulheres nas Olimpíadas

Outros dados sobre as mulheres nas Olimpíadas:

– A primeira vez que as mulheres participaram de uma Olimpíada foi em Paris-1900, quando 22 atletas fizeram parte de um total de 977 competidores;

– Somente em Londres 2012 todos os países tiveram representantes femininos, quando uma atleta da Arábia Saudita foi autorizada pelo país a participar;

– No Time Brasil, 209 dos 465 atletas são mulheres (45%).