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Legado olímpico

É possível entender que a expectativa para uma Olimpíada em casa seja a de quebra de recordes. Afinal, todo investimento que é feito no esporte de um país sede durante o ciclo olímpico –somado a fatores como apoio da torcida e motivação dos atletas por competirem em casa– normalmente é convertido no melhor resultado da história.

No Brasil, não foi diferente. Apesar de não alcançar a meta de entrar no Top 10, o país obteve o melhor rendimento entre todas as edições dos Jogos, com 19 medalhas: sete ouros, seis pratas e seis bronzes. Entretanto, o Brasil tem muito a aprender com a Grã Bretanha.

Sim, o resultado veio em 2012, em Londres. Os britânicos alcançaram o melhor desempenho e ficaram em 3º lugar, com 65 medalhas, 29 delas de ouro. O pulo do gato (quase um salto em altura!), entretanto, está no Rio de Janeiro. Não satisfeita em quebrar recordes em Londres, a delegação britânica superou as marcas de 2012 e conquistou uma inédita vice-liderança, superando a tradicional vice-colocada China.

O resultado torna clara uma constatação: o legado olímpico funcionou para a Grã Bretanha. O esporte inspira, de fato, mas o resultado não é por acaso. O governo britânico planejou investir 276 milhões de libras (cerca de R$448 milhões) na preparação britânica para as Olimpíadas do Rio, o que representa aumento de 5% em relação ao que foi aplicado no ciclo olímpico pré 2012. Pelo visto, a promessa foi cumprida e deu frutos.

Em geral, um atleta de alto rendimento demora cerca de dois ciclos olímpicos (oito anos) para ser formado. A pergunta é: será que o Brasil vai fazer como a Grã Bretanha e, de fato, se valer do legado olímpico? Infelizmente, começamos mal. Em junho, o Ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, suspendeu o edital de R$ 150 milhões que visava, justamente, garantir os investimentos em modalidades olímpicas depois da Rio 2016 e causou revolta em atletas e confederações.

Na ocasião, a assessoria do Ministério do Esporte se limitou a justificar que “a suspensão do edital não afeta a preparação dos atletas para os Jogos Olímpicos e os Jogos Paralímpicos Rio 2016”. E Tokio 2020? Nossa continuidade pode estar seriamente ameaçada.