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Handebol

O ciclo olímpico para Tokyo 2020 vai começar, de vez, para a Seleção Brasileira Feminina de Handebol. A equipe disputa, a partir desta sexta-feira (9), o Torneio Quatro Nações em São Bernardo do Campo, contra Chile, Portugal e República Dominicana.

A Seleção ainda está sob o comando do treinador interino Sérgio Graciano, já que o permanente –um estrangeiro– está bem encaminhado, mas não pode ser revelado em função do vínculo com um clube.

Mesmo assim, as 21 convocadas já encaram com seriedade o torneio. Afinal, ele serve como preparação para a competição mais importante do semestre, o Pan-americano de Handebol, que começa em 18 de junho, em Buenos Aires, e vale vaga para o Mundial da Alemanha, em dezembro.

A estreia brasileira no Quatro Nações será contra as chilenas, nesta sexta-feira (9), às 21h. No dia seguinte, as anfitriãs enfrentam as dominicanas, às 18h. E o último confronto será diante das portuguesas no domingo, dia 11, às 9h30.

O momento marca o começo de um novo trabalho, com atletas experientes –como a goleira Babi e a armadora Eduarda Amorim– dividindo espaço com jovens jogadoras. Vêm por aí duas boas competições para testar a equipe até a disputa do Mundial.

Confira as convocadas:

Goleiras – Bárbara Arenhart, Gabriela Moreschi e Jéssica Silva de Oliveira

Armadoras Amanda de Souza Caetano, Bruna de Paula, Deonise Fachinello, Eduarda Amorim, Mariane Cristina Oliveira Fernandes e Patrícia Batista da Silva

Centrais – Ana Paula Rodrigues Belo, Danielle Cristina Joia e Mayara Fier de Moura

Pontas – Dayane Pires da Rocha, Jéssica Quintino, Larissa Fais Munhoz Araujo, Larissa Inae da Silva, Mariana Costa e Samira Rocha

Pivôs – Regiane dos Santos Silva, Tamires Anselmo Costa e Tamires Morena de Araújo

O futuro do handebol masculino brasileiro passa pelas mãos –e pela cabeça– dele. Washington Nunes será o responsável pelo comando técnico da seleção brasileira masculina de handebol no próximo ciclo olímpico. A tarefa não é das mais fáceis: substituir o espanhol Jordi Ribera, que levou o Brasil à inédita passagem às quartas de final nos Jogos do Rio, à melhor colocação em mundiais (13º lugar na Espanha-2013) e ao domínio absoluto em todas as categorias sul-americanas.

Mas, Washington não se intimida. Conhece o desafio, afinal, já comandou a seleção entre 2008 e 2009 e foi assistente técnico de Ribera (2013-2016). A isso, soma-se a experiência de quase 30 anos trabalhando com handebol, o que dá a ele o know how necessário para assumir o posto.

O trabalho exige muita dedicação. Não por acaso, Nunes revela que, ao final da temporada, vai se despedir da equipe de São Caetano (SP) e se dedicar exclusivamente ao comando da seleção.

Em entrevista ao Brasil Olímpico, o técnico também fala sobre os projetos para o esporte nos próximos anos, o novo centro de referência da modalidade, as referências técnicas que podemos absorver das grandes potências e como manter o handebol entre os esportes que mais atraem o interesse do público brasileiro.

Um dos desafios de Washington é levar a seleção além das oitavas de final no Mundial de 2017. Foto: Cinara Piccolo/Photo&Grafia
Um dos desafios de Washington é levar a seleção além das oitavas de final no Mundial de 2017. Foto: Cinara Piccolo/Photo&Grafia

Esta é sua segunda passagem pela seleção. O que mudou na sua atuação como treinador desde 2008?

Em todo este período trabalhando em nível internacional, a gente vai assumindo novas tendências de treinamento. Acima de tudo, o esporte mudou muito. O handebol era mais lento, hoje é mais físico, veloz e intenso, o que o torna um esporte mais dinâmico. Automaticamente, você tem que mudar muito a forma de trabalhar e a metodologia de treinamentos, para que os jogadores atuem neste novo padrão.


Quais são os projetos para a seleção brasileira neste próximo ciclo olímpico?

Este é um dos motivos que mais me deixou contente com o convite para retornar à seleção. A ideia é dar continuidade a um projeto que foi satisfatório com o Jordi [Ribera, ex-técnico da seleção]. De certa forma, a gente conseguiu pontuar uma maneira brasileira de jogar e queremos continuar isso. Vamos dar continuidade aos campeonatos estaduais, aos encontros com treinadores para formação, ao Acampamento Nacional de Desenvolvimento e Melhoria Técnica e a montagem de grupos de treinamento.

Também temos o objetivo de capacitar jogadores, formar treinadores e melhorar o nível técnico dos atletas. Outro salto importante é o Centro de Treinamentos, que vai centralizar as ações relacionadas ao handebol para o Brasil inteiro. Teremos plataformas de aprimoramento técnico à distância e vamos conseguir, assim, alcançar treinadores de todo o país, o que vai impulsionar nossa seleção nos próximos quatro anos. Vamos dar continuidade a um projeto que foi muito bem planejado e agregar outras ações que vão tornar a modalidade ainda mais sólida.


Você programa mudanças na base da seleção brasileira para os próximos campeonatos?

A expectativa, especialmente para o Campeonato Mundial [que será disputado em 2017], é fazer uma pequena renovação. A gente já era a equipe com a segunda média de idade mais baixa nas Olimpíadas do Rio. Mesmo assim, a ideia é trazer mais alguns jogadores novos, que já passaram pelas categorias juvenil e júnior. Então, a inserção deles na seleção será natural, porque já passaram por um processo de base muito bem consolidado. Temos boas expectativas de classificação, apesar da chave difícil.

[O Brasil está no grupo A, ao lado de Noruega, Rússia, Japão, Polônia e França, atuais campeões mundiais.]


Por falar no Centro Nacional de Desenvolvimento do Handebol, que foi inaugurado recentemente em São Bernardo, como você avalia a importância desta iniciativa para o futuro da modalidade no Brasil?

O espaço pode ser o epicentro de um grande terremoto da modalidade, que vai gerar ondas para o Brasil inteiro. Observando o trabalho em diversos esportes, a gente percebe que é preciso desenvolver atores, como treinadores, jogadores, dirigentes e árbitros, com mais qualidade para o desenvolvimento da modalidade. Colocar em uso a casa do handebol vai abrir as portas para atores de todos os Estados, que vão adquirir conhecimento e levar isso para casa. O centro será um fator de um grande salto!


Em alguns esportes, e o handebol é um deles, a gente percebe uma valorização muito grande do conhecimento que vem de fora. O que podemos aprender com as grandes potências da modalidade?

Olhando um pouco para a nossa modalidade, a gente percebe que a interferência estrangeira nos ajudou muito. As referências de metodologia de treinamento e as informações sobre como aplicá-las, além de noções de organização geral do esporte, trouxeram um grande avanço para o handebol brasileiro. O Jordi foi o treinador que melhor executou isso e colocou em prática muitas ações importantes para o desenvolvimento da seleção. Ele e outros estrangeiros foram multiplicadores no país de um padrão de jogo que a gente não pode perder, mas sim, aprimorar. É preciso desenvolver isso, aliado a nossa forma de trabalhar.


O handebol foi um dos esportes que mais atraiu a atenção do público nas Olimpíadas. O que pode ser feito para que a seleção mantenha esta visibilidade?

O handebol tem muitas coisas que o brasileiro gosta. É dinâmico, sai gol –e desde pequeno a gente aprende a gostar disso. Mas, para manter o handebol nesse nível de expectativa a gente precisa, sobretudo, de mídia. A gente sabe que o que acontece no futebol não ocorre muito nos outros esportes. O vôlei tem a Superliga, o basquete também conquistou um espaço. Já tivemos isso, mas foi perdido por falta de interesse da TV. Se a gente conseguir recolocar a liga nacional de handebol na TV será um grande passo para manter o nível de interesse das pessoas pelo esporte.

O modelo de conferências –amplamente difundido em países como os EUA em vários esportes– foi o escolhido para dar nova cara às Ligas Nacionais Feminina e Masculina de Handebol, que começam a ser disputadas nesta sexta-feira (26). A edição de 2016 traz novidades e será dividida em três conferências: uma vai abranger os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste; outra a região Nordeste; e mais uma o Norte.

A ideia é promover o intercâmbio entre todas as regiões do país. A liga masculina vai contar com 31 equipes e a feminina com 20. Na primeira fase, os times de cada região se enfrentam em si. Os classificados disputam as finais em local único, que será definido pela Confederação Brasileira de Handebol (CBHb).

Esse ano será um laboratório para essa Liga Nacional, mas tenho certeza que ela dará muito certo e que nós vamos poder nos próximos anos ter um modelo ainda maior e mais eficiente, porque o processo será aperfeiçoado e melhorado. Estamos dando um grande passo e tenho certeza que isso irá ajudar ainda mais no desenvolvimento do handebol por todo o Brasil”, afirma o presidente da CBHb, Manoel Luiz Oliveira.

A previsão é de que a Liga Nacional Masculina seja disputada até o dia 11 de dezembro e a Feminina está prevista para terminar no dia 18 do mesmo mês.

Transmissão

Os apaixonados pelo Handebol vão poder acompanhar a Liga pela televisão. Nas quartas de final, duas partidas de cada conferência serão transmitidas pelo canal a cabo Bandsports. Já as semifinais e as finais serão televisionadas na TV fechada também pelo Bandsports e pelo SporTV e, ainda, na TV aberta, pela Band.