Narração audiodescritiva: um novo passo para o esporte inclusivo no Brasil

Você já parou para pensar em como um cego, torcedor apaixonado por futebol ou qualquer outro esporte, se relaciona com a experiência de torcer? A princípio, o pensamento é de que o rádio é um grande parceiro, não é mesmo? E é sim! Mas, não é suficiente.

Faça o teste: feche os olhos e tente construir o cenário de uma final de campeonato apenas com as informações transmitidas pelo locutor. Por mais completa tecnicamente que seja a narração, muitos elementos vão ficar de fora. A expressão facial do goleiro ao tomar o gol, a comemoração do atacante, a reação do técnico no banco de reservas… Sem falar em uma infinidade de outras cores, gestos e expressões que ajudam a compor o espetáculo.

Uma iniciativa, entretanto, chegou para mudar a experiência dos cegos no estádio. A narração audiodescritiva –técnica que traduz em palavras todos os aspectos visuais da partida– foi realizada pela primeira vez em um campeonato nacional no último sábado, no clássico entre Botafogo e Flamengo, no Maracanã.

O Brasil já havia passado por uma experiência vitoriosa com a técnica. Na Copa do Mundo de 2014, a narração audiodescritiva foi disponibilizada em quatro cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte*. A responsável por todo este trabalho –que merece muito reconhecimento– é a ONG carioca Urece Esporte e Cultura para Cegos.

Infelizmente, o serviço ainda não vai operar de forma permanente nos campeonatos nacionais. A viabilidade vai ser avaliada jogo a jogo, mas, os leitores cariocas podem acompanhar a disponibilidade na página da Urece no Facebook.

Bom, mesmo com a narração audiodescritiva disponível apenas no Rio de Janeiro, é um passo e tanto para a construção de um cenário mais inclusivo para o esporte no Brasil. A torcida é para que o serviço chegue ao Mineirão em breve!

 

*Esse asterisco deveria ser um coração, porque representa uma das experiências mais marcantes que vivi. Fui narradora audiodescritiva na Copa do Mundo em Belo Horizonte. É um projeto que eu lembro com muito carinho e que despertou ainda mais em mim o desejo de ver um esporte realmente para todos!

Resenha entre narradores e ouvintes depois do jogo entre Brasil e Colômbia, pelas quartas de final da Copa do Mundo, no Mineirão.
Resenha entre narradores e ouvintes depois do jogo entre Brasil e Colômbia, pelas quartas de final da Copa do Mundo, no Mineirão.

 

1 Comentário

  • Taiane Rocha
    10 meses atrás

    Excelente iniciativa de inclusão. Favorecer a acessibilidade aos cegos vai além de estruturas físicas. A audiodescrição dos jogos é uma forma de permitir com que eles possam ver o mundo com outros olhos.

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