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Entrevista

O objetivo é claro: manter a hegemonia brasileira no Campeonato Sul-Americano de ginástica rítmica e conquistar uma marca pessoal bastante expressiva. Natália Gaudio –única brasileira a disputar o individual da modalidade nos Jogos Rio 2016– está na Colômbia em busca do pentacampeonato Sul-Americano. No ano passado, a ginasta conquistou ouro em todas as categorias que disputou.

Natália Gaudio bateu um papo com o Brasil Olímpico sobre a expectativa para a competição, a evolução da ginástica rítmica na América Latina e a bagagem conquistada na Rio 2016.

Natália ficou em 23º na Rio 2016. Photo: RicardoBufolin/CBG
Natália ficou em 23º na Rio 2016. Photo: RicardoBufolin/CBG

Como foi a preparação para manter a superioridade no Sul-Americano?

A preparação é diária, treino mais de cinco horas todos os dias. Também cuido muito da minha saúde e da alimentação. São muitas atividades envolvidas no treinamento e para a prevenção de lesões. Afinal, estou em busca do penta!

Quais países são os concorrentes mais fortes para o Brasil no Sul-Americano?

As equipes mais fortes na categoria adulta são a Colômbia e a Venezuela. Estão com meninas bem preparadas, que competiram alguns campeonatos internacionais ano passado, como o Pan-Americano. As colombianas vêm participando de Copas do Mundo e evoluindo bastante.

Como é a dinâmica de competição no Sul-Americano?

O Sul-Americano vai seguir o modelo de competição do Mundial, com um aparelho por dia. No primeiro dia, por exemplo, a gente compete com o arco e já classificam as oito finalistas para a disputa da final no mesmo dia, um pouco mais tarde. Eu acho que o Sul-Americano está tentando se adequar às regras mundiais para preparar bem as ginastas. É uma competição bem cansativa, porque são quatro dias de disputas, um aparelho por dia. Mas, é interessante por preparar as ginastas para uma competição mundial.

Como está a evolução da ginástica rítmica no Brasil e na América do Sul?

A ginástica na América do Sul tem crescido muito e eu percebi nos treinamentos desses últimos dias que as meninas realmente estão melhorando. Os países estão investindo muito na modalidade.

O Brasil também continua em grande evolução, a gente costuma ter destaque no Sul-Americano e o país sobe no pódio em todas as categorias. Então, a gente mostra que o Brasil continua sendo o mais forte no sul da América e esperamos que este resultado se mantenha este ano, com medalhas em todas as categorias.

As Olimpíadas ajudaram bastante no crescimento da ginástica no Brasil, os clubes e as cidades estão investindo bastante porque viram que é possível para as ginastas alcançarem seus objetivos e chegarem às Olimpíadas.

Que aprendizado você tirou da Rio 2016, que é diferente de qualquer outro já absorvido em competições que você já participou?

Aprendi muito, foi uma competição incrível, que eu vou levar para o resto da minha vida. Eu aprendi muito sobre concentração, porque a torcida era muito grande. Aquele público todo gritando ao meu favor, gritando meu nome, incentivando o Brasil é muito bom, mas, ao mesmo, pode te desconcentrar. Então, eu tive que trabalhar bastante o meu foco para concentrar na série.

Gáudio compete com as maças | Photo: RicardoBufolin/CBG
Gaudio compete com as maças | Photo: RicardoBufolin/CBG

O Sul-Americano de ginástica rítmica 2016 vai até domingo (09) e contará com, aproximadamente, 230 ginastas –do pré-infantil ao adulto– de sete países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Venezuela. Veja toda a delegação que representa o Brasil na competição:

Pré-infantil (9 e 10 anos)

Ginastas individuais: Laura Asturian, Gabryela Nogueira da Rocha e Júlia Beatriz Silva Kurunczi

Treinadora: Fabiana Pace Niedzwiedz

Ginastas do conjunto: Ana Clara Morais Mendes, Camila Ferreira Cunha, Evelyn da Silva Lamego, Isabella Lira Lages e Raica Gabriela Tomé Alho

Treinadora: Fabrícia Viana de Souza

Infantil (11 e 12 anos)

Ginastas individuais: Kauany Zanettin Paes, Mariana Gonçalves Pinto e Viviane Oda Miranda

Treinadora: Ana Paula Scheffer

Ginastas do conjunto: Amanda Hernandez Viotti, Bianca Caroline Caldas, Maiara Manoel de Deus, Marina Ramos Sampaio, Rafaela Cristina Marcelino da Silva e Sophia Evangelista César Botto de Freitas

Treinadora: Fernanda Festa Rezende

Juvenil

Ginastas individuais: Heloisa Gabriella Pedroso Bornal, Mariany Hatori Miyamoto e Vitória Guerra Andrade

Treinadora: Dayane Camillo da Silva

Ginastas dc conjunto: Ana Paula Falabretti, Bruna Letícia da Silva, Caroline Kunzler, Jainy Iolanda Klemann, Natiely Aparecida da Silva Oliveira e Tayná Isabelli Stein

Treinadora: Débora Cristina de Souza

Adulto

Ginastas individuais: Carolina Tonelotto, Gabriela Ribeiro e Natália Gaudio

Treinadora: Monika Queiroz

Árbitras: Célia Maria Paes Santos e Christiane Mogk de Faria

Fisioterapeuta: Marceli Mesquita

Chefe de delegação: Sandro Lopes

O futuro do handebol masculino brasileiro passa pelas mãos –e pela cabeça– dele. Washington Nunes será o responsável pelo comando técnico da seleção brasileira masculina de handebol no próximo ciclo olímpico. A tarefa não é das mais fáceis: substituir o espanhol Jordi Ribera, que levou o Brasil à inédita passagem às quartas de final nos Jogos do Rio, à melhor colocação em mundiais (13º lugar na Espanha-2013) e ao domínio absoluto em todas as categorias sul-americanas.

Mas, Washington não se intimida. Conhece o desafio, afinal, já comandou a seleção entre 2008 e 2009 e foi assistente técnico de Ribera (2013-2016). A isso, soma-se a experiência de quase 30 anos trabalhando com handebol, o que dá a ele o know how necessário para assumir o posto.

O trabalho exige muita dedicação. Não por acaso, Nunes revela que, ao final da temporada, vai se despedir da equipe de São Caetano (SP) e se dedicar exclusivamente ao comando da seleção.

Em entrevista ao Brasil Olímpico, o técnico também fala sobre os projetos para o esporte nos próximos anos, o novo centro de referência da modalidade, as referências técnicas que podemos absorver das grandes potências e como manter o handebol entre os esportes que mais atraem o interesse do público brasileiro.

Um dos desafios de Washington é levar a seleção além das oitavas de final no Mundial de 2017. Foto: Cinara Piccolo/Photo&Grafia
Um dos desafios de Washington é levar a seleção além das oitavas de final no Mundial de 2017. Foto: Cinara Piccolo/Photo&Grafia

Esta é sua segunda passagem pela seleção. O que mudou na sua atuação como treinador desde 2008?

Em todo este período trabalhando em nível internacional, a gente vai assumindo novas tendências de treinamento. Acima de tudo, o esporte mudou muito. O handebol era mais lento, hoje é mais físico, veloz e intenso, o que o torna um esporte mais dinâmico. Automaticamente, você tem que mudar muito a forma de trabalhar e a metodologia de treinamentos, para que os jogadores atuem neste novo padrão.


Quais são os projetos para a seleção brasileira neste próximo ciclo olímpico?

Este é um dos motivos que mais me deixou contente com o convite para retornar à seleção. A ideia é dar continuidade a um projeto que foi satisfatório com o Jordi [Ribera, ex-técnico da seleção]. De certa forma, a gente conseguiu pontuar uma maneira brasileira de jogar e queremos continuar isso. Vamos dar continuidade aos campeonatos estaduais, aos encontros com treinadores para formação, ao Acampamento Nacional de Desenvolvimento e Melhoria Técnica e a montagem de grupos de treinamento.

Também temos o objetivo de capacitar jogadores, formar treinadores e melhorar o nível técnico dos atletas. Outro salto importante é o Centro de Treinamentos, que vai centralizar as ações relacionadas ao handebol para o Brasil inteiro. Teremos plataformas de aprimoramento técnico à distância e vamos conseguir, assim, alcançar treinadores de todo o país, o que vai impulsionar nossa seleção nos próximos quatro anos. Vamos dar continuidade a um projeto que foi muito bem planejado e agregar outras ações que vão tornar a modalidade ainda mais sólida.


Você programa mudanças na base da seleção brasileira para os próximos campeonatos?

A expectativa, especialmente para o Campeonato Mundial [que será disputado em 2017], é fazer uma pequena renovação. A gente já era a equipe com a segunda média de idade mais baixa nas Olimpíadas do Rio. Mesmo assim, a ideia é trazer mais alguns jogadores novos, que já passaram pelas categorias juvenil e júnior. Então, a inserção deles na seleção será natural, porque já passaram por um processo de base muito bem consolidado. Temos boas expectativas de classificação, apesar da chave difícil.

[O Brasil está no grupo A, ao lado de Noruega, Rússia, Japão, Polônia e França, atuais campeões mundiais.]


Por falar no Centro Nacional de Desenvolvimento do Handebol, que foi inaugurado recentemente em São Bernardo, como você avalia a importância desta iniciativa para o futuro da modalidade no Brasil?

O espaço pode ser o epicentro de um grande terremoto da modalidade, que vai gerar ondas para o Brasil inteiro. Observando o trabalho em diversos esportes, a gente percebe que é preciso desenvolver atores, como treinadores, jogadores, dirigentes e árbitros, com mais qualidade para o desenvolvimento da modalidade. Colocar em uso a casa do handebol vai abrir as portas para atores de todos os Estados, que vão adquirir conhecimento e levar isso para casa. O centro será um fator de um grande salto!


Em alguns esportes, e o handebol é um deles, a gente percebe uma valorização muito grande do conhecimento que vem de fora. O que podemos aprender com as grandes potências da modalidade?

Olhando um pouco para a nossa modalidade, a gente percebe que a interferência estrangeira nos ajudou muito. As referências de metodologia de treinamento e as informações sobre como aplicá-las, além de noções de organização geral do esporte, trouxeram um grande avanço para o handebol brasileiro. O Jordi foi o treinador que melhor executou isso e colocou em prática muitas ações importantes para o desenvolvimento da seleção. Ele e outros estrangeiros foram multiplicadores no país de um padrão de jogo que a gente não pode perder, mas sim, aprimorar. É preciso desenvolver isso, aliado a nossa forma de trabalhar.


O handebol foi um dos esportes que mais atraiu a atenção do público nas Olimpíadas. O que pode ser feito para que a seleção mantenha esta visibilidade?

O handebol tem muitas coisas que o brasileiro gosta. É dinâmico, sai gol –e desde pequeno a gente aprende a gostar disso. Mas, para manter o handebol nesse nível de expectativa a gente precisa, sobretudo, de mídia. A gente sabe que o que acontece no futebol não ocorre muito nos outros esportes. O vôlei tem a Superliga, o basquete também conquistou um espaço. Já tivemos isso, mas foi perdido por falta de interesse da TV. Se a gente conseguir recolocar a liga nacional de handebol na TV será um grande passo para manter o nível de interesse das pessoas pelo esporte.