Gabriela Costa
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Gabriela Costa

O resultado do mesatenista Hugo Calderano nos Jogos do Rio 2016 rendeu a ele uma posição expressiva no ranking mundial. De acordo com a lista divulgada pela Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), mesmo com a queda nas oitavas de final, Calderano passou a ocupar a 31ª posição, melhor colocação de um latino-americano na história. A marca anterior também era de um brasileiro, Gustavo Tsuboi, que foi 33º em novembro de 2014. Em um esporte dominado por orientais, esta é uma colocação a ser comemorada.

“Fiquei muito feliz com essa nova posição. Vinha treinando bem há algum tempo, mas não tinha subido no ranking. Agora, isso me dá muita motivação e confiança para os meus próximos campeonatos. A Copa do Mundo, que vai ser meu próximo evento internacional, vai ser uma outra boa oportunidade para competir com os melhores do mundo”, destaca Calderano.

O mesatenista, que tem apenas 20 anos, iniciou as competições na Rio 2016 como o número 54 do mundo. Passou pelo cubano Andy Pereira, pelo sueco Par Gerell e pelo atleta de Hong Kong Tang Peng, 16º no ranking mundial. Depois de uma partida extremamente equilibrada contra o japonês Jun Mizutani, que terminou com a medalha de bronze, Calderano se despediu da competição. O brasileiro é atleta do Ochsenhausen, da Alemanha, e, agora, foca suas atenções na Liga Alemã.

O modelo de conferências –amplamente difundido em países como os EUA em vários esportes– foi o escolhido para dar nova cara às Ligas Nacionais Feminina e Masculina de Handebol, que começam a ser disputadas nesta sexta-feira (26). A edição de 2016 traz novidades e será dividida em três conferências: uma vai abranger os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste; outra a região Nordeste; e mais uma o Norte.

A ideia é promover o intercâmbio entre todas as regiões do país. A liga masculina vai contar com 31 equipes e a feminina com 20. Na primeira fase, os times de cada região se enfrentam em si. Os classificados disputam as finais em local único, que será definido pela Confederação Brasileira de Handebol (CBHb).

Esse ano será um laboratório para essa Liga Nacional, mas tenho certeza que ela dará muito certo e que nós vamos poder nos próximos anos ter um modelo ainda maior e mais eficiente, porque o processo será aperfeiçoado e melhorado. Estamos dando um grande passo e tenho certeza que isso irá ajudar ainda mais no desenvolvimento do handebol por todo o Brasil”, afirma o presidente da CBHb, Manoel Luiz Oliveira.

A previsão é de que a Liga Nacional Masculina seja disputada até o dia 11 de dezembro e a Feminina está prevista para terminar no dia 18 do mesmo mês.

Transmissão

Os apaixonados pelo Handebol vão poder acompanhar a Liga pela televisão. Nas quartas de final, duas partidas de cada conferência serão transmitidas pelo canal a cabo Bandsports. Já as semifinais e as finais serão televisionadas na TV fechada também pelo Bandsports e pelo SporTV e, ainda, na TV aberta, pela Band.

Foi dada a largada para as Paralimpíadas, o evento esportivo mais inspirador do mundo. Atletas de 170 países competem em 23 modalidades, na maior edição dos Jogos da história.


Prepare-se para 16 momentos imperdíveis dos Jogos Paralímpicos do Rio:

Natação

Talvez nenhum atleta paralímpico brasileiro é mais iluminado que Daniel Dias. O nadador é dez vezes campeão e espera aumentar a coleção de ouros no Rio, onde compete em diversas provas, como 100m peito, 50m borboleta e 50m livre, na classe S5.

André Brasil, nadador da classe S10, é outro atleta que promete aumentar a coleção de medalhas. Ele já tem três ouros e duas pratas.

Basquete em cadeira de rodas

Austrália e Canadá dominam a modalidade e já se encontram logo na fase de grupos. O Canadá foi ouro em Atenas 2004 e em Londres 2012, vencendo a Austrália, que levou a melhor sobre os canadenses em Pequim 2008.

Atletismo

O brasileiro Alan Fonteles calou a plateia em Londres 2012 ao vencer o favorito Oscar Pistorius na prova de 100m, classe T43 (para amputados). No Rio, Fonteles defende o bicampeonato. Terezinha Guilhermina é outra que promete fazer história.

Terezinha Guilhermina é outra brasileira que promete fazer história nas pistas de corrida. Com a chancela de quem já foi guiada por ninguém menos que Usain Bolt, ela é uma das atletas mais vibrantes do mundo e só precisa tomar cuidado com a chinesa Cuiqing Lu.

Esgrima em cadeira de rodas

Quando o brasileiro Jovane Silva Guissone, ouro em Londres 2012, sacar sua espada, a expectativa é de mais um triunfo, agora em casa.

Vôlei Sentado

O maior clássico da modalidade acontece quando Irã e Bósnia-Herzegovina se enfrentam. Os dois países fazem a final do esporte desde Sydney 2000. No Rio, não deve ser diferente. O Brasil, no grupo A, é dono das medalhas de ouro dos Jogos Parapanamericanos de 2011 e 2015.

Futebol de 5

Favoritismo é o que não falta ao Brasil. O país ganhou ouro em todas as edições paralímpicas do Futebol de 5 e nunca perdeu, sequer, uma partida! No Rio, Brasil, Marrocos, Irã e Turquia competem no Grupo A; no grupo B estão Argentina, México, China e Rússia.

Tênis de mesa

Uma das pouquíssimas atletas que competem tantos nos Jogos Olímpicos como nos Paralímpicos é a polonesa Natalia Partyka. Para sacar, a atleta, que nasceu sem a mão e o antebraço direitos, apoia a bolinha no braço e usa a raquete com a mão esquerda. Três vezes campeã Paralímpica, ela não perde uma partida desde 2008.

Goalball

Em um dos esportes mais fascinantes dos Jogos, o favorito Brasil promete acertar as contas com a Finlândia e vingar a derrota por 8 a 1 na disputa pelo ouro em Londres. O Brasil ganhou de 9 a 1 dos finlandeses no campeonato mundial de 2014.

Ciclismo

A ciclista Sarah Storey é a maior vencedora Paralímpica da Grã Bretanha e também já competiu na natação, modalidade que rendeu a ela cinco ouros, oito pratas e três bronzes. No ciclismo, Sarah deve fazer valer o favoritismo e conquistar o sétimo ouro.

Judô

O judoca brasileiro Antônio Tenório é o primeiro a ganhar quatro ouros Paralímpicos consecutivos e está preparado para partir rumo à quinta conquista, desta vez em casa.

Halterofilismo

O Rio de Janeiro pode ser o palco de uma quebra de recorde histórica. O iraniano Siamand Rahman, considerado o atleta Paralímpico mais forte do mundo, espera bater a marca de 300kg e garantir o ouro na categoria acima dos 100kg. O atleta quebrou o próprio recorde este ano, na Copa do Mundo de Dubai, com 296kg – e espera manter o título de campeão conquistado em Londres 2012.

Tiro com Arco

A primeira iraniana a conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos e Paralímpicos vai estar no Rio, competindo no Tiro com Arco. Zahra Nemati vai defender o título nesta edição. Ela, porém, já medalha de ouro em inspirar outras mulheres.

Tiro Esportivo

São 17 medalhas de ouro desde que Jonas Jacobsson começou a competir nos Jogos Paralímpicos, em 1980, quando tinha penas 15 anos. Esta deve ser a última participação dele em Paralimpíadas e provavelmente vai terminar em vitória.

Quatro olimpíadas, quatro finais, dois ouros, duas pratas, vários sentimentos, um nome: Sérgio Dutra Santos! A Rio 2016 teve muitos mitos, atletas que protagonizaram feitos históricos, quebra de recordes, momentos emocionantes, choros compulsivos.

Serginho, entretanto, reúne todos eles num só. Mítico, pelo que fez pela Seleção durante tantos anos, pelos quatro pódios olímpicos e por ser o maior medalhista brasileiro em esportes coletivos. Humano, pela emoção ao ouvir o hino nacional no pódio, por, apesar da entrega, confessar que não via a hora de acabar para simplesmente aproveitar o tempo ao lado da família.

Valeu, Serginho!

É possível entender que a expectativa para uma Olimpíada em casa seja a de quebra de recordes. Afinal, todo investimento que é feito no esporte de um país sede durante o ciclo olímpico –somado a fatores como apoio da torcida e motivação dos atletas por competirem em casa– normalmente é convertido no melhor resultado da história.

No Brasil, não foi diferente. Apesar de não alcançar a meta de entrar no Top 10, o país obteve o melhor rendimento entre todas as edições dos Jogos, com 19 medalhas: sete ouros, seis pratas e seis bronzes. Entretanto, o Brasil tem muito a aprender com a Grã Bretanha.

Sim, o resultado veio em 2012, em Londres. Os britânicos alcançaram o melhor desempenho e ficaram em 3º lugar, com 65 medalhas, 29 delas de ouro. O pulo do gato (quase um salto em altura!), entretanto, está no Rio de Janeiro. Não satisfeita em quebrar recordes em Londres, a delegação britânica superou as marcas de 2012 e conquistou uma inédita vice-liderança, superando a tradicional vice-colocada China.

O resultado torna clara uma constatação: o legado olímpico funcionou para a Grã Bretanha. O esporte inspira, de fato, mas o resultado não é por acaso. O governo britânico planejou investir 276 milhões de libras (cerca de R$448 milhões) na preparação britânica para as Olimpíadas do Rio, o que representa aumento de 5% em relação ao que foi aplicado no ciclo olímpico pré 2012. Pelo visto, a promessa foi cumprida e deu frutos.

Em geral, um atleta de alto rendimento demora cerca de dois ciclos olímpicos (oito anos) para ser formado. A pergunta é: será que o Brasil vai fazer como a Grã Bretanha e, de fato, se valer do legado olímpico? Infelizmente, começamos mal. Em junho, o Ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, suspendeu o edital de R$ 150 milhões que visava, justamente, garantir os investimentos em modalidades olímpicas depois da Rio 2016 e causou revolta em atletas e confederações.

Na ocasião, a assessoria do Ministério do Esporte se limitou a justificar que “a suspensão do edital não afeta a preparação dos atletas para os Jogos Olímpicos e os Jogos Paralímpicos Rio 2016”. E Tokio 2020? Nossa continuidade pode estar seriamente ameaçada.

Katie Ledecky, Katinka Hosszu, Rafaela Silva, Simone Biles, Marta (sim, Marta!) e tantos outros nomes marcaram esta Olimpíada. O Rio 2016 foi, definitivamente, os Jogos das mulheres! Este poderia ser um texto para falar sobre empoderamento feminino no esporte, representatividade, desigualdade salarial, de premiação e afins. Mas, não é. É uma reflexão sobre estratégia.

Historicamente, o esporte é incentivado no ambiente masculino, como forma de virilidade e demonstração de masculinidade. Isso (e tantas outras questões intrínsecas ao machismo arraigado no mundo, que a gente já conhece) fizeram com que o esporte feminino fosse pouco incentivado ao longo do tempo.

As coisas têm mudado (enfim!). A Rio 2016 bateu recorde de participação feminina, com 4,7 mil esportistas, o que representa 45% do total de atletas. Mas, não é só porque o mundo percebeu a importância de a mulher conquistar espaço no esporte, como tem acontecido em tantos outros contextos.

A inclusão, o treinamento e formação de mulheres no esporte de alto rendimento se tornou um mecanismo de melhorar ainda mais o resultado das grandes potências no quadro de medalhas. A conta é simples: investir no alto rendimento de mulheres é praticamente dobrar as chances de medalhar!

Não por acaso, as maiores potências olímpicas tem números de homens e mulheres equilibrados na delegação que veio ao RJ. Os EUA contaram com 52,6% de mulheres e a China com 61,5%, por exemplo. Na outra ponta, os países que restringem a prática esportiva de mulheres –como os de religião muçulmana– estão longe de estarem no pelotão principal das grandes potências.

Claro, o investimento nas mulheres não é o único segredo dos gigantes no esporte. É preciso considerar a institucionalização da prática esportiva, o incentivo à base, os altos investimentos e outros N fatores. Mas, certamente, faz parte do escopo de ideias que fazem um país se destacar no esporte.

Infográfico produzido pela ESPN sobre a introdução das mulheres nas Olimpíadas
Infográfico produzido pela ESPN sobre a introdução das mulheres nas Olimpíadas

Outros dados sobre as mulheres nas Olimpíadas:

– A primeira vez que as mulheres participaram de uma Olimpíada foi em Paris-1900, quando 22 atletas fizeram parte de um total de 977 competidores;

– Somente em Londres 2012 todos os países tiveram representantes femininos, quando uma atleta da Arábia Saudita foi autorizada pelo país a participar;

– No Time Brasil, 209 dos 465 atletas são mulheres (45%).

Você deve estar pensando que, talvez, a estreia deste blog esteja um tanto quanto atrasada. Afinal, a Olimpíada Rio 2016 terminou há pouco. Mas não, amigo. O tempo é exatamente este! Tempo de fazer com que o legado olímpico, que será refletido em Tokyo 2020, dê as caras por aqui.

Esta responsabilidade não é apenas do governo ou das empresas, que detêm as verbas para incentivo ao esporte de alto rendimento. É também da imprensa –da qual meu diploma de jornalismo me credencia a fazer parte–, que precisa ter mais sensibilidade ao momento e abrir espaço à cobertura de esportes olímpicos e paralímpicos não somente durante os Jogos.

Mas, foi exatamente durante esta Olimpíada em casa que eu me senti motivada a contribuir com isso. Confesso, a ideia prévia era de um blog sobre futebol, mais especialmente sobre o Atlético Mineiro, instituição que mais acende minha paixão pelo esporte. Para falar do Galo, entretanto, há vários jornalistas, comentaristas e torcedores que desempenham a função extremamente bem.

Aqui, você leitor vai encontrar informações sobre a delegação brasileira de todo e qualquer esporte olímpico e paralímpico, a preparação dos atletas para o próximo ciclo e as marcas que o Time Brasil eventualmente alcançar. Espero, apenas, contribuir singelamente para que a gente conheça os “Thiagos Brazes”, “Felipes Wus” e “Isaquias Queirozes” dos próximos Jogos, antes mesmo que eles se enrolem na bandeira brasileira para subir ao pódio.

Bem-vindos!