Gabriela Costa
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Gabriela Costa

Maio trouxe bons resultados para o esporte olímpico brasileiro, especialmente no vôlei de praia e na ginástica. Na etapa do Rio de Janeiro do Circuito Mundial de Vôlei de Praia 2017, disputada na arena de tênis do Parque Olímpico, os campeões olímpicos nos Jogos Rio 2016 Alison/Bruno levaram o ouro no masculino e a dupla Ágatha/Duda conquistaram o primeiro título internacional delas no feminino.

Na Croácia, a ginástica artística brasileira garantiu cinco medalhas na Copa do Mundo. Thaís Fidelis e Flávia Saraiva fizeram dobradinha no pódio em dois aparelhos: trave e solo. Já Arthur Zanetti dominou mais uma vez a competição nas argolas e garantiu o ouro.

Mas o calendário de disputas das modalidades olímpicas já está saltando direto para junho. Entre as competições mais esperadas estão o Grande Prêmio Brasil de Atletismo, com a presença do campeão olímpico no salto com vara, Thiago Braz; o Mundial de Taekwondo, também com presença do medalhista de bronze no Rio, Maicon Siqueira (+87Kg); e as fase final da Liga Mundial de Vôlei masculino, que será disputada na Arena da Baixada, em Curitiba (PR).

Ainda tem a Copa das Confederações da Fifa, mas sem a presença do Brasil, que não foi muito longo na Copa América de 2015 –caiu nas quartas de final– e ficou de fora pela primeira vez. Mesmo assim, há boas seleções para acompanhar, como a atual campeã mundial Alemanha, Portugal e Chile.

Veja o calendário completo de competições de junho:

2 a 4 – Etapa de Belgrado (SRB) da Copa do Mundo de Canoagem de Velocidade

2 a 4 – Etapa de Moscou (RUS) do Grand Prix de Esgrima (sabre)

2 a 4 – Etapa de Guadalajara (ESP) do Desafio Mundial de Ginástica Rítmica

3 – GP Brasil de Atletismo (Rio de Janeiro)

4 a 16 – Etapa de Tavarua (FIJ) da Liga Mundial de Surfe (masculino)

6 a 11 – Super Final feminina da Liga Mundial de Polo Aquático

6 a 11 – Etapa de Roma (ITA) do Circuito Mundial de Vôlei de Praia

6 a 11 – Etapa de Antalya (TUR) da Copa do Mundo de Tiro com Arco

6 a 14 – Etapa de Gabala (AZE) da Copa do Mundo de Tiro Esportivo (rifle e pistola)

7 a 11 – Tour da Inglaterra de Ciclismo (feminino)

8 – Etapa de Roma (ITA) da Diamond League de Atletismo

10 e 11 – Etapa de Leeds (GBR) da Série Mundial de Triatlo

10 e 11 – Etapa de Vail (USA) da Copa do Mundo de Escalada (bouldering)

13 a 18 – Etapa da Indonésia do Superseries de Badminton

14 a 18 – Aberto de Tóquio (JPN) do Circuito Mundial de Tênis de Mesa

15 – Etapa de Oslo (NOR) da Diamond League de Atletismo

15 a 18 – Aberto dos Estados Unidos do Major de Golfe (masculino)

15 a 18 – Etapa de Poznan (POL) da Copa do Mundo de Remo

16 a 18 – Etapa de Nanquim (CHN) do Circuito mundial de Vôlei de Praia

16 a 18 – Etapa de Praga (CZE) da Copa do Mundo de Canoagem Slalom

17 a 2 de julho – Copa das Confederações de Futebol

18 – Etapa de Estocolmo (SWE) da Diamond League de Atletismo

20 a 25 – Super Final masculina da Liga Mundial de Polo Aquático

20 a 25 – Aberto de Chengdu (CHN) do Circuito Mundial de Tênis de Mesa

20 a 25 – Etapa de Salt Lake City (USA) da Copa do Mundo de Tiro com Arco

23 a 25 – Etapa de Druskininkai (LTU) da Copa do Mundo de Pentatlo Moderno (Grande Final)

23 a 25 – Etapa de Nantong (CHN) do circuito mundial de Vôlei de Praia

23 a 25 – Etapa de Augsburg (GER) da Copa do Mundo de Canoagem Slalom

24 – Etapa de Setúbal (POR) da Copa do Mundo de Maratona Aquática

24 e 25 – Etapa de Clermont-Ferrand (FRA) do Rugby Sevens Series feminino 2016/17

24 e 25 – Etapa de Mumbai (IND) da Copa do Mundo de Escalada (bouldering)

24 a 30 – Mundial de Taekwondo (Muju, KOR)

27 a 2 de julho – Etapa de Porec (CRO) do Circuito Mundial de Vôlei de Praia

28 a 2 de julho – Fase Final da Liga Mundial masculina de Vôlei

29 a 2 de julho – Etapa de Olympia Fields (USA) do Major de Golfe (feminino)

30 a 2 de julho – Etapa de Hohhot (CHN) do Grand Prix de Judô

30 a 2 de julho – Etapa de Markleeberg (GER) da Copa do Mundo de Canoagem Slalom

30 a 9 de julho – Giro d’Italia feminino de Ciclismo
(calendário organizado pelo blog Surto Olímpico)

Mesmo ainda sendo muito necessário, hoje não quero ser clichê e falar para os homens sobre a importância das mulheres no esporte. Sobre o papel que muitas delas ocupam com excelência. Sobre o quanto o esporte ainda é um lugar masculinizado e que oprime e exclui atletas, treinadoras, jornalistas e qualquer figura feminina que se atreva a pisar nesse campo.

Hoje quero falar para as mulheres (sim, de mulher para mulher, outro clichê!). Ainda vejo muitas mulheres subestimando o futebol feminino, acompanhando com afinco o vôlei masculino e deixando de lado o feminino, acreditando que ginástica é esporte de mulher e as lutas, de homem. Sim, infelizmente é cultural e ensinado, assim fica mais fácil de reproduzir, não é?

É uma conta simples. Se o interesse do público –que pode começar pelas mulheres– for pequeno, o investimento também será. Como resultado, o desenvolvimento é deficiente. Não vou ser hipócrita e acreditar que, num futuro próximo, os homens irão aos estádios, pagando ingressos caros, com camisas e todo fervor que o caldeirão do futebol masculino é capaz de efervescer para assistir a um jogo feminino. Isso são planos para um contexto muito distante (mas possível!). Se formos nós, mulheres, apoiar o esporte feminino já é um começo!

Quer um pontapé inicial? O Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino 2017 começa neste sábado (11). E homens, por favor! Não se espantem mais com o fato de uma mulher gostar, acompanhar ou trabalhar com esporte. É possível compartilhar essa paixão!

Se você é daqueles que não faz ideia do que se passa da porta para fora no feriado de Carnaval, este post é para você! Não é por isso que você vai ficar sem opções. Tem mais gente com a cabeça longe da folia. O Brasil Olímpico traz três competições internacionais com participação de atletas brasileiros que estão acontecendo durante o Carnaval. É só acompanhar!

Judô

No sábado (25), a partir das 6h (não vai cair na folia mas tem que ter disposição!), sete brasileiros entram no tatame pelo Grand Prix de Dusseldorf, disputado na Alemanha: Mariana Silva (63kg), Ketleyn Quadros (63kg), Bárbara Timo (70kg), Amanda Oliveira (70kg), Marcelo Contini (73kg), Eduardo Barbosa (73kg) e Vinícius Panini (81kg).

No domingo, mais quatro brasileiros buscam medalhas: Tiago Camilo (90kg), Rochele Nunes (+78kg), Léo Gonçalves (100kg) e Ruan Isquierdo (+100kg). Nos dois dias, as finais começam às 13h, com transmissão ao vivo da Confederação Brasileira de Judô pelo site www.ippon.tv. O Brasil já levou uma medalha em Dusseldorf. Phelipe Pelim (60kg) venceu o espanhol Francisco Garrigos com um ippon no segundo minuto de golden score e garantiu o bronze.

Rugby

Foto: Alaor Filho/Exemplus/COB
Foto: Alaor Filho/Exemplus/COB

Ainda no sábado, a Seleção Brasileira de Rugby enfrenta a Argentina no extremo Sul do planeta, no Ushuaia (ARG), pela 4ª rodada do Americas Rugby Championship (ARC). A partida está marcada para 17h30 e é uma oportunidade para os Tupis aprimorarem a técnica e testar o nível da equipe frente ao cenário internacional. Os Pumas são os atuais campeões da competição.

O último desafio do Brasil na temporada 2017 do ARC será em casa. Na sexta-feira (3), os Tupis recebem o Canadá, no Pacaembu (SP).

Triatlo

No domingo (26), o triatleta Eduardo Lass encara um verdadeiro teste de força e velocidade em Cuba. Lass participa de uma das provas mais rápidas do circuito mundial, a Copa Pan-americana de Sprint Triathlon, em Havana. O desafio é composto de 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida. Para quem não está pensando em sair do sofá, cansa só de ouvir falar!

Recentemente, Eduardo Lass foi bronze na Pan American Cup de triatlo, disputada na Argentina.

Boa imersão esportiva no feriado!

Nem só de Rio 2016 viveu o calendário esportivo desse ano! Ele foi cheio. É verdade que apenas as Olimpíadas do Rio já teriam sido suficientes para mobilizar a atenção dos aficionados por esporte por um ano inteiro. Mas, teve mais, muito mais!

Depois dos Jogos, o Brasil conquistou muitos resultados importantes e engatou a marcha forte rumo à Tokyo 2020. Veja dez marcas que o Time Brasil alcançou no segundo semestre:

1. Atletismo

Foto: Wander Roberto/Exemplus/COB
Foto: Wander Roberto/Exemplus/COB

Thiago Braz, que protagonizou um dos momentos mais legais dos Jogos Olímpicos Rio 2016, encerra o ano como o número 1 do Ranking Mundial de Atletismo no salto com vara. A marca obtida para a medalha de ouro (6,03m) deu a Thiago o recorde olímpico e o sexto melhor resultado de todos os tempos, o que resultou na liderança do ranking.

 

2. Futebol Feminino
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

A medalha no Rio não veio, mas, a seleção feminina de futebol mostrou que não se deixou abater e começou bem o processo de reestruturação. Sob o comando de Emily Lima –primeira mulher a comandar a seleção na história–, a equipe foi hepta campeã do torneio de Manaus, que reuniu também as seleções da Itália (vice), Rússia e Costa Rica.

O título marcou, ainda, o adeus de Formiga, depois de 21 anos defendendo a seleção, com participação em seis Copas do Mundo e seis Jogos Olímpicos. A história recente do futebol feminino no Brasil passa pelos pés dela!

 

3. Natação
Foto: Giovana Moreira/CBDA

Etiene Medeiros desbancou ninguém mais, ninguém menos que a campeã olímpica Katinka Hosszu, da Hungria, para conquistar o bicampeonato dos 50m costa no Campeonato Mundial em Piscina Curta. A disputa aconteceu em Windsor, no Canadá. Outros dois excelentes resultados para a natação foram a prata no revezamento 4x50m medley misto e o bronze de Felipe Lima nos 50m peito.

 

4. Tênis
Foto: Divulgação/US Open

Foto: Divulgação/US Open

O mineiro Bruno Soares é o primeiro brasileiro a encerrar uma temporada integrando a dupla número 1 do mundo. Ao lado do britânico Jamie Murray, Soares foi campeão do Aberto dos Estados Unidos, em Nova York, depois de vencer espanhóis Pablo Carreño Busta e Guillermo Garcia-Lopez.

O título em Nova York é o quinto de Grand Slam na carreira de Bruno Soares, que já havia vencido as duplas mistas do US Open em 2012, com a russa Ekaterina Makarova, e 2014, com a indiana Sania Mirza. Ele também conquistou em 2016 os títulos do Aberto da Austrália nas duplas masculinas, com Jamie Murray, e nas mistas, com a russa Elena Vesnina.

 

5. Judô
Foto: Divulgação/IJF
Foto: Divulgação/IJF

A participação brasileira no Grand Slam de Abu Dhabi foi notável. Foram 13 medalhas: quatro pratas, oito bronzes e o ouro de Maria Suelen Altheman (+78Kg). Para chegar ao lugar mais alto do pódio, Maria Suelen venceu Kubra Kara, da Turquia, Maria Slutskaya, da Bielorrússia, e Carolin Weiss, da Alemanha, imobilizadapor 20 segundos, o que configura ippon.

 

6. Vôlei de Praia
Foto: Inovafoto/CBV

Bruno Schmidt fechou 2016 como o esportista do ano, eleito pela Federação Internacional de Voleibol (Five, em inglês). Campeão olímpico ao lado de Alisson, Bruno foi eleito, ainda, o melhor defensor e o jogador mais completo do Circuito Mundial de Vôlei de Praia.

Alison venceu o prêmio de melhor ataque da temporada. Também foram premiadas as brasileiras Duda (melhor novata), Larissa (melhor levantamento e melhor jogadora ofensiva), Guto (melhor novato) e Evandro (melhor saque).

 

7. Maratona Aquática
Foto: Alaor Filho/COB

Foto: Alaor Filho/COB

Bronze nos Jogos Olímpicos Rio 2016, Poliana Okimoto conquistou o vice-campeonato da Copa do Mundo de Maratonas Aquáticas. A prata veio com o terceiro lugar alcançado na última etapa da competição, em Hong Kong. A vencedora da etapa e da Copa do Mundo foi a italiana Rachele Bruni, medalha de prata nos Jogos Olímpicos Rio 2016, com 86 pontos. Poliana Okimoto terminou a competição com 74 pontos e a alemã Ângela Maurer ficou em terceiro com 61.

 

8. Tênis de Mesa
Foto: Saulo Cruz/Exemplus/COB
Foto: Saulo Cruz/Exemplus/COB

O tênis de mesa do Brasil tem uma dupla no top cinco mundial. Hugo Calderano e Gustavo Tsuboi conquistaram a quinta colocação do ranking mundial da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF). No fim de novembro, Calderano e Tsuboi conquistaram a medalha de ouro na disputa de duplas do Aberto da Suécia – Etapa Major do Circuito Mundial (segundo mais importante), feito inédito para o tênis de mesa brasileiro.

 

9. Canoagem
Foto: Divulgação/COB
Foto: Divulgação/COB

A jovem Ana Sátila, de 20 anos, conseguiu um resultado inédito para a canoagem slalom do país na quarta etapa da Copa do Mundo da modalidade, disputada em Praga, República Tcheca. Com o tempo de 110s75, Ana conquistou a prata no K1, ficando atrás apenas da alemã Ricarda Funk, que completou a prova em 108s59. Além disso, o Brasil avançou às semifinais em todas as provas que participou na competição.

 

10. Pentatlo
Foto: Divulgação/COB
Foto: Divulgação/COB

Yane Marques conquistou duas medalhas no Campeonato Mundial Militar de Pentatlo Moderno, disputado em Warendorf, Alemanha. Yane levou o bronze na prova individual, que reuniu 34 competidoras de 13 países, e no evento por equipes, ao lado de Larissa Lellys e Priscila Oliveira.

Começa um novo ciclo para a Seleção Brasileira Feminina de Futebol. Emily Lima, primeira mulher a comandar a equipe na história, estreia contra a Costa Rica, pelo Torneio Internacional de Manaus 2016, nesta quarta-feira (07). O jogo será na Arena da Amazônia, 22h15. Olhares atentos para a nova formação tática da Seleção e para a maneira como o processo de transição pós-Rio 2016 vai ser conduzido.

Mas, há quem está atento mesmo ao fato de como uma mulher vai se portar no cargo mais alto da comissão técnica em um país como o Brasil, ainda tão machista e com um mercado da bola absolutamente hostil à participação feminina. Seja na imprensa esportiva, com a bola nos pés ou em cargos de gestão, a mulher ainda é vista por muitos como corpo estranho nesse universo.

Duvida? Balela? Veja a reportagem divulgada hoje pelo Portal UOL, que traz dados e relatos muito interessantes para mostrar como falta respeito e sombra preconceito na rotina de mulheres que trabalham com esporte. O momento –marcado pela estreia de Emily Lima na Seleção– não poderia ser mais oportuno.

Bem, esta é uma discussão muito mais longa e que terá a devida atenção em outro momento, já que o assunto é delicado e requer tempo e argumentação. Vamos ao jogo!

Brasil x Costa Rica

Tudo indica que Emily vai manter, pelo menos à princípio, a base da Seleção Brasileira construída por seu antecessor, o técnico Vadão. Até porque, não há como tirar o tom ofensivo do time, regido pelo talento de Marta e Cristiane. As duas atletas não estarão no Torneio Internacional, porque a competição não consta como Data Fifa e, por isso, os clubes internacionais não são obrigados a liberar as jogadoras. Mesmo assim, é o início de um novo conceito de jogo, que já está em construção e precisa ser testado.

Além de manter o brilho ofensivo do time, a ideia é ter uma defesa mais consistente. O torneio será um bom teste. Além da Costa Rica, o Brasil enfrenta as seleções da Rússia (11/12) e da Itália (14/12). As duas seleções melhores colocadas no quadrangular serão as finalistas, enquanto as outras duas disputarão o terceiro lugar. Todos os jogos serão realizados na Arena da Amazônia.

O Torneio Internacional é realizado desde 2009 e o Brasil é hexacampeão. Só ficou sem o título em 2010, quando o Canadá sagrou-se campeão.


ATUALIZAÇÃO: A Seleção goleou a Costa Rica por 6 a 0. Os gols do Brasil foram marcados por Andressinha, Tamires, Gabi Zanotti (2) e Beatriz (2). Com o resultado, a seleção brasileira lidera a competição com três pontos ganhos e seis gols de saldo. A Itália, que venceu a Rússia por 3 a 0, ocupa a segunda colocação. O Brasil volta a campo no domingo, quando enfrenta a Rússia, às 8h45 (de Brasília), na Arena da Amazônia.

A torcida do Atlético Nacional e o povo de Medellín deram ao mundo uma das maiores demonstrações de humanidade com a homenagem às vítimas do voo da Lamia. O estádio Atanasio Girardot lotado gritava “Vamo, vamo, Chape” com uma força que poucas vezes se viu na história do esporte para lembrar a delegação da Chapecoense e os jornalistas mortos na tragédia.

Nem o tão obscuro mundo dos cartolas esportivos deixou de ser impactado com a tragédia. A diretoria do Atlético Nacional formalizou junto à Conmebol um pedido para que a Chape seja consagrada campeã da Sul-Americana e deve ser atendida com justiça. Diversos dirigentes do mundo todo também colocaram seus atletas à disposição para ajudar a reconstruir o clube.

Casos de solidariedade e união por meio do esporte, entretanto, não são novidade. Aliás, fazem parte da essência do universo esportivo. O blog Brasil Olímpico relembra cinco vezes em que o esporte foi mais que uma competição.

1. Recorde no mar

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O resultado nas piscinas ficou de lado por uma marca muito maior: nadar pela sobrevivência de 20 pessoas na fuga da Síria, durante a travessia do Mar Mediterrâneo. A nadadora Yusra Mardini, de 18 anos, e a irmã fugiram de Damasco quando a guerra da Síria se intensificou. Durante a passagem pelo mar para chegar à ilha grega de Lesbos, o motor do bote onde elas estavam com mais 18 pessoas estragou e a pequena embarcação corria o risco de afundar, já que estava superlotada.

Yusra não hesitou, pulou na água e ela, sua irmã e uma outra mulher ajudaram a empurrar o bote até a praia mais próxima. A saga durou três horas, nadando em mar aberto para que o bote chegasse a areia. Esta, com certeza, foi a mais importante competição que Yusra poderia vencer, a luta pela vida. Outra vitória foi a participação nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O resultado pouco importa.

2. Solidariedade no Haiti

O 18 de agosto de 2004 foi um dia histórico para haitianos e brasileiros. A guerra civil que tomava conta do Haiti foi interrompida pelo menos por um dia para receber a Seleção Brasileira, no que ficou conhecido com o Jogo da Paz. O placar de 6×0 para o Brasil dentro de campo pouco importou.

Em carro aberto, jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Roberto Carlos foram seguidos por uma multidão, que sorriu depois de muito tempo de sofrimento com a guerra. As armas de fogo deram lugar a outra munição: a paixão pelo futebol e pela Seleção Brasileira, que contribui com a campanha do desarmamento que mudou a perspectiva de segurança no país mais pobre das Américas.

3. Imagem de união

1470733548_558175_1470735814_noticia_normalPelo menos por um segundo, uma selfie tornou irmãs duas nações declaradamente inimigas, as Coreias do Sul e do Norte. As ginastas Lee Eun-ju (Sul) e Hong Un Jong (Norte) tiraram uma foto nos Jogos Olímpicos Rio 2016 que representou muito mais que um registro de duas colegas de profissão.

A guerra entre os dois países acabou há mais de 60 anos, mas as relações diplomáticas entre as Coreia do Sul e do Norte nunca foram reestabelecidas. A imagem, captada pelo fotógrafo Dylan Martínez, da Reuters, foi considerada um dos símbolos mais representativos da história de união por meio do esporte.

4. A mão que levanta o outro

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O verdadeiro espírito olímpico deu as caras no Engenhão durante as competições de atletismo da Rio 2016. Na prova de 5.000 metros feminino, a neozelandesa Nikki Hamblin e a americana Abbey D’Agostino tiveram um contato involuntário, o que resultou na queda de Abbey, que torceu o tornozelo. Nikki parou e ajudou a americana a se levantar.

Abbey voltou a cair devido às dores e, novamente, foi acudida por Nikki, que demonstrou que uma vida de treinos não é mais importante que as dores das pessoas. Mesmo com todo o incentivo da corredora neozelandesa, a americana não conseguiu terminar a prova. As duas, entretanto, não saíram sem medalhas. Ambas foram coroadas com a medalha de Fair Play do Comitê Olímpico Internacional.

5. Vitória da paz

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E quando dois inimigos políticos caem em um mesmo grupo da Copa do Mundo? Felizmente, Estados Unidos e Irã aproveitaram a oportunidade na Copa de 1998 e mostram que o futebol é capaz de deixar de lado diferenças históricas. Apesar de o governo do Irã ter encarado a partida como uma verdadeira guerra, os jogadores de ambos as seleções optaram pelo espírito esportivo.

Os iranianos ofereceram flores aos americanos, que responderam com cordialidade e posaram para fotos abraçados. Nas arquibancadas, o que se viu foram torcedores exibindo bandeiras dos dois países lado a lado. A partida terminou EUA 1 x 2 Irã e foi a primeira e única vitória do país na história das Copas.

Leia mais sobre solidariedade no esporte: A verdadeira noite que nunca vai terminar

É possível que quem não goste ou vivencie o esporte e, especialmente, o futebol não tenha a dimensão do que ele é capaz. De fato, é compreensível não encontrar muito sentido em pessoas correndo atrás de bolas, esforços descomunais por uma marca, dedicação que beira ao limite. É preciso sensibilidade. Mais que isso, é necessário estar disposto a se mobilizar.

Uma tragédia e… tudo começa a fazer sentido. A paixão pelo esporte ganha outra conotação, um tom triste, uma comoção que faz a rivalidade perder o sentido. Um significado que substitui a alegria do resultado por um nó na garganta que nem as piores derrotas chegam próximas de dar. Junto vem uma afinação tática que nem o time mais entrosado do mundo poderia demonstrar.

Que outra comunidade é capaz de mobilizar, num mesmo momento, milhares de pessoas desconhecidas, a princípio desconexas, em dois países do mesmo continente, porém, sem nenhuma ligação histórica que ultrapasse o critério territorial? A dor e a tristeza unem, é claro, mas o esporte une ainda mais.

O que aconteceu simultaneamente no estádio Atanasio Girardot, em Medellin, e na Arena Condá, em Chapecó, em homenagem às vítimas do voo da Lamia excedeu o sentido da comoção humana. Esta, sim, é a verdadeira noite que nunca vai terminar. A noite que levou a união de dois povos a um nível de irmandade, a um patamar que não nos é dado o discernimento para compreender, apenas sentir. O esporte é mesmo de outro mundo.

 

Difícil escolher entre Daniel Dias, Shirlene Coelho, Petrúcio Ferreira, Jefinho (foto) e tantos outros paratletas brasileiros que ajudaram a escrever a história do país nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Na verdade, todos já são dignos de medalha pelo que representam para o esporte nacional. Mas, como em toda competição, só há um vencedor.

O Comitê Paralímpico Brasileiro divulgou a lista com os vencedores do prêmio de melhor atleta de 2016 em cada uma das 22 modalidades que integraram o programa dos Jogos Paralímpicos. Seis deles, três homens e três mulheres, foram indicados ao Prêmio Paralímpicos 2016, cujos vencedores de cada gênero serão escolhidos por voto popular.

Daniel Dias se emociona com um dos quatros ouros que ganhou no Rio 2016 | ©Cleber Mendes/MPIX/CPB
Daniel Dias se emociona com um dos quatros ouros que ganhou no Rio 2016 | ©Cleber Mendes/MPIX/CPB

É um time de respeito: Daniel Dias (natação), Petrúcio Ferreira (atletismo), Jeferson Gonçalves (futebol de 5); Silvânia Costa (salto em distância), Shirlene Coelho (lançamento de dardo) e Evani Calado (bocha).

Os nomes foram escolhidos pela diretoria do CPB, a chefia técnica e as confederações esportivas. Os vencedores serão homenageados na cerimônia do Prêmio Paralímpicos 2016, marcada para 7 de dezembro, no Rio de Janeiro. Também serão premiados os melhores técnicos de esporte individual e coletivo, o atleta revelação e a personalidade que mais contribuiu para o desenvolvimento do esporte paralímpico em 2016, por meio do troféu Aldo Miccolis.

Há mesmo muito o que comemorar em 2016! O ano foi de recordes para o esporte paralímpico brasileiro. O país levou a maior delegação a uma Paralimpíada e celebrou em casa a conquista de 72 medalhas em treze modalidades, sete a mais que em Londres-2012. Foram batidos cinco recordes mundiais, 10 paralímpicos, 35 das Américas e 93 marcas pessoas pelos atletas brasileiros.

Os indicados

Daniel Dias é um dos atletas mais queridos e conhecidos pelo público. Nadador paralímpico com mais conquistas em Jogos Paralímpicos, subiu ao pódio em todas as nove provas que disputou no Rio 2016.

Jeferson Gonçalves, o Jefinho, é um dos craques da Seleção Brasileira de futebol de 5, que conquistou o quarto ouro consecutivo no Rio 2016. Jefinho, como é conhecido, foi o artilheiro da equipe na competição.

Petrúcio Ferreira é um dos jovens talentos da Seleção de Atletismo. Em menos de dois anos de carreira, sagrou-se campeão paralímpico nos 100m no Rio de Janeiro e virou dono dos recordes mundiais dos 100m e dos 200m em sua classe, T47.

Foto: Alaor Filho/MPIX/CPB
Shirlene Coelho em ação no lançamento de dardo | Foto: Alaor Filho/MPIX/CPB

Shirlene Coelho manteve a soberania no lançamento de dardo, ao alcançar o bicampeonato paralímpico na prova. Ela ainda levou uma prata no lançamento de disco.

Silvânia Costa é a atual recordista mundial e campeã mundial e paralímpica no salto em distância classe T11. No Rio 2016, a atleta do Mato Grosso do Sul fez sua estreia em Jogos Paralímpicos da melhor maneira possível, conquistando o ouro na prova em que é especialista.

Evani Calado entrou para a história da bocha brasileira, ao subir ao lugar mais alto do pódio ao lado de Antônio Leme e Evelyn Vieira na disputa por equipes BC3 no Rio.

A lista completa dos atletas vencedores em todas as 22 modalidades pode ser conferida no site do CPB.

A dupla brasileira Hugo Calderano (31º colocado no ranking mundial) e Gustavo Tsuboi (79º) faturou o ouro no torneio de duplas do Aberto da Suécia de tênis de mesa, neste fim de semana. É o melhor resultado do Brasil em etapas Major do Circuito Mundial na modalidade.

Na final do Aberto da Suécia, Calderano e Tsuboi derrotaram os franceses Antoine Hachard (105º) e Stephane Ouaiche (64º) por 3 sets a 0 (12/10, 12/10 e 11/7). O ouro na Suécia garantiu a vaga no Super Finals, torneio marcado para Doha.

A marca antiga de melhor resultado em etapas Major também era de Calderano e Tsuboi, quando a dupla conquistou a medalha de prata no Aberto do Qatar, em 2015.

Esta não é a primeira conquista importante de Hugo Calderano este mês. Na semana passada, o mesatenista brasileiro foi prata na Major do Aberto da Áustria e se tornou o primeiro do país a chegar a uma final da etapa, considerada a segunda mais importante do Circuito Mundial. Se Calderano seguir os passos do xará Hoyama e jogar em alto nível por muito tempo, o tênis de mesa brasileiro ainda terá muito o que comemorar.

O culto ao corpo, que já é marca registrada de grande parte do universo esportivo, vai ganhar uma conotação diferente a partir dos Jogos Pan-Americanos de 2019, disputados em Lima, no Peru. A Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) aprovou a entrada do fisiculturismo no programa de modalidades dos Jogos.

Os atletas que possuem a melhor formação muscular –alcançada por meio da prática contínua de exercícios físicos de resistência progressiva– são os vencedores no fisiculturismo. Os critérios avaliados pelos juízes da modalidade são volume, simetria, definição e proporção dos músculos.

A aprovação do fisiculturismo no programa pan-americano é, no mínimo, polêmica. Os fisiculturistas são constantemente confrontados sobre o uso de esteroides e anabolizantes para potencializar os resultados naturais. A prática, apesar de velada, está totalmente em desacordo com a política de uma competição como o Pan, que adota o rígido Código Mundial Antidoping. Pelo visto, o assunto ainda vai render muita discussão!

Programa Pan-Americano

Com a inclusão do fisiculturismo, o Pan de Lima terá 39 modalidades. Também são novidade o skate e o surf, que entram obrigatoriamente no Pan-Americano por terem sido integradas ao escopo de modalidades dos Jogos Olímpicos.

Dos 39 esportes disputados no Pan, cinco ainda não integram o programa olímpico: pelota basca, boliche, raquetebol, patinação (velocidade e artística) e esqui aquático. A presença de algumas modalidades nos Jogos pode causar estranheza, principalmente por não termos familiaridade local com elas. Mas, as regras para inclusão de um esporte no Pan-Americano são bem criteriosas. É preciso, pelo menos, ter federação reconhecida em 21 países do continente.